A revolução das inteligências: diálogos entre o Natural, o Social e o Artificial.
- h.d.mabuse
- 19 de mar.
- 2 min de leitura

Foi em meados de julho de 2021 que tomei conhecimento do texto "As três inteligências - Notas para um artigo". Nesse breve trabalho, o antropólogo e professor Eduardo Viveiros de Castro do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro define um estudo antropológico como aquele que considera seu campo de objetos povoado por entidades "inteligentes". Essas entidades são capazes de estabelecer relações recíprocas com os mundos que co-evoluem através de circuitos de feedback. Viveiros de Castro propõe que existem três grandes áreas de interesse contemporâneo, que poderiam ser referidas como as "três inteligências", parafraseando Guattari. São elas:
Inteligência Natural: abrange a exploração tanto de seres vivos quanto de elementos não-vivos, incluindo sua evolução, diversidade, comunicação e cognição. Ela engloba não apenas o estudo de organismos vivos, mas também a compreensão dos movimentos geológicos e comportamentos atmosféricos;
Inteligência Social: Esta área concentra-se nas diferenças nos modos humanos de construção do mundo e no condicionamento histórico das relações (políticas, epistêmicas, etc.) entre esses modos;
Inteligência Artificial: Esta área centraliza-se nos dispositivos lógico-materiais e montagens, em princípio, produzidas pelos seres humanos, que têm a capacidade atual ou presumida de criar mundos e interagir ou dissociar-se dos mundos humanos. Abrange inúmeros estudos sobre inteligência artificial (IA), filosofias e antropologias da tecnologia;
Eduardo Viveiros de Castro sustenta a visão de que as três inteligências por ele identificadas não se encontram em compartimentos estanques, mas, ao contrário, são modos de existência entrelaçados e mutuamente dependentes que moldam a essência da experiência de estar na terra. Em sua abordagem, essas inteligências não operam isoladamente, mas em constante interação, contribuindo para a construção de uma visão abrangente do mundo.
Adicionalmente, ele provoca a ideia de que a disciplina da antropologia não deve limitar seu âmbito somente à análise de culturas humanas. Pelo contrário, ele defende que ela possui a capacidade de transcender limites convencionais e explorar as interações entre uma diversidade de formas de inteligência no cosmos. Isso implica em reconhecer a ligação entre seres humanos, animais, plantas e outros componentes do ambiente natural como elementos integrantes de um amplo tecido cósmico.
Portanto, adoto a perspectiva do antropólogo Viveiros de Castro para ampliar sua abordagem não apenas à antropologia, mas também para entender o potencial desse mesmo raciocínio como relevante para o campo do design. Compreendendo como, por meio de pessoas, coisas e processos, podemos promover um entendimento mais interligado e interdisciplinar (indisciplinar?) dessa tessitura que é a relação entre humanos, elementos extra-humanos e o mundo no qual fazemos parte.



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